O cliente tem a pressa demais. Vale a pena aceitar?
Por: Graciolli em 18 de July de 2011 com 0 comentários
Você fala em planejamento e o cliente pensa que a criar um site é tão imediato quanto montar uma apresentação no PowerPoint. Por Eduardo Kasse
“Vai tirar o pai da forca?” Todos já ouviram ou usaram essa expressão, principalmente no trânsito ou em alguma calçada superlotada de pedestres, onde esbarrões facilmente acontecem. É fato que a sociedade moderna – com a exceção de alguns países – está mais dinâmica, com muito mais afazeres e as mesmas 24 horas.
A mídia é a grande responsável por essa sensação do tempo “voando” e a internet, claro, tem grande parcela de culpa. Uma bomba cai no Iraque e minutos depois já há alguma nota ou vídeo relatando o fato. A comunicação é instantânea. Os limites físicos estão diminuindo, as distâncias estão cada vez mais virtuais.
Com o Google Earth, por exemplo, é possível ir do Coliseu às pirâmides com um clique. É claro que a experiência nunca será a mesma de uma viagem real, nem chegará perto, todavia, para o aprendizado, para a curiosidade, já é um ótimo paliativo. É como sentir o cheiro do churrasco na casa do vizinho.
A maratona do desenvolvimento
A web remete ao imediatismo. Clicou, pressionou enter, cadastrou, publicou uma foto, já está tudo online… E é com essa aculturação que o cliente imagina o processo de criação do seu site: Pensou, mandou um e-mail e pronto! É mais rápido do que dizer: “no mês que vem eu consigo te pagar”.
Como toda conclusão precipitada tende levar ao erro, com o projeto de soluções web não haveria de ser diferente. Os clientes acreditam que a criação de um site é tão imediata quanto a montagem de uma apresentação no Power Point. Obviamente, se for um projeto estilo folder, estático, isso até pode ser verdade.
Mas, esses são exceções.
Comparo o projeto web com uma maratona: é um longo percurso, com topografia variável. Há os momentos certos de acelerar e diminuir o ritmo. Não adianta disparar nos primeiros metros e abandonar o objetivo a poucos passos da linha de chegada.
O controle e a disciplina somente são possíveis com planejamento. Muitos desenvolvedores abrem diretamente seus softwares preferidos para a edição de códigos e começam a programar. É um sem-fim de tentativas e erros, que em projetos pequenos podem até funcionar, mas são inviáveis para estruturas de médio ou grande porte.
A dura arte de convencer o cliente
Muitos vão dizer: “por mim eu planejava, projetava e tudo mais, porém, meu cliente não quer saber… Só me deu cinco dias!”. Errado, vocês concordaram com esse prazo.
Novamente, com exceção das “emergências”, (para esses casos, em um contrato bem redigido, deve-se definir claramente as restrições de tempo que poderão acarretar alguns erros e incompatibilidades, devido à falta de testes quantitativos e qualitativos), todo projeto tem uma margem temporal que pode ser negociada adequadamente para ambas as partes.
Com o planejamento e a criação de estratégias concisas é possível mostrar que o tempo a mais será revertido em uma melhor solução (seja em termos de retorno financeiro, acessos, visibilidade ou qual for o objetivo principal do site), com mais qualidade e menos risco. Estudos e análises fundamentados são essenciais para a competitividade. E para o sucesso!
Se essas condições não forem aceitas, agradeça e se despeça. Livrou-se de um mal cliente e de uma possível bomba. Sem dúvida isso acontece e acontece mesmo. Eu mesmo passei por uma experiência na qual o cliente demorou quase um ano para a entrega do conteúdo de seu website e assim que o mesmo entregou solicitou a entrega do mesmo em 3 meses. Imagina só um portal com 13 hotsites para serem entregues em 3 meses. Imagina que quando o mesmo foi entregue o cliente ainda continua escrevendo que isso, aquilo, bla bla bla não esta funcionando, bla bla bla…
Qualquer pessoa consciente e com o mínimo de responsabilidade profissional entende a importância do planejamento, independente da área de atuação. Mesmo os animais como os leões estudam a presa, o território, as condições do vento e a distância antes de iniciar uma caçada. Na terioria isso seria ótimo mas na prática não funciona – Ainda existem clientes que acham que podem fazer tudo internamente – Paga-se um cursinho de flash para um assistente de marketing e ele mesmo pode fazer banners para a internet! – Sim, ele pode, ele faz, anima e fica tudo bonitinho de acordo com o que o chefe deseja – Mas e a usabilidade do site?
Sem essa capacidade analítica, não teríamos feito as magníficas obras da engenharia, as descobertas na saúde, tão pouco a rede mundial de computadores e bilhões de sites, blogues, álbuns de fotos, etc. Então, não é agora que iremos retroceder… Certo?
